A empresa em que Rita trabalha como gerente de RH está passando por algumas dificuldades financeiras, e os diretores, depois de muito pensarem, compreenderam que enxugar as equipes é imprescindível para que a organização não vá à falência.

Desse modo, Rita foi orientada a fazer demissões em algumas áreas da empresa e essa é uma tarefa nada fácil. Para tornar o processo mais humanizado, a gerente teve uma ideia  aplicar estratégias de outplacement.

Você já ouviu falar nesse assunto? É sobre isso que falaremos neste post. Tire as suas dúvidas sobre o outplacement nos tópicos a seguir!

O que é outplacement?

O outplacement, embora pareça algo novo, desenvolveu-se ainda na década de 1960, na América do Norte. Na época, houve uma forte crise na área aeroespacial e de eletroeletrônicos, o que ocasionou a demissão de vários cientistas e engenheiros.

No Brasil, os primeiros registros da prática de outplacement nas empresas ocorreram na década de 1990, com o surgimento de companhias especializadas nesse assunto. Com o passar do tempo, a técnica passou a ser desenvolvida mais frequentemente.

Trata-se, resumidamente, de conduzir as demissões na empresa de forma humanizada. Para isso, deve-se explicar para o colaborador os motivos que geraram o seu desligamento da empresa, bem como dar orientações e, até mesmo, cartas de recomendação para que ele consiga logo uma nova colocação no mercado de trabalho.

Quais são os benefícios do processo humanizado na demissão?

Praticar o outplacement traz muitos benefícios para as organizações. Foram esses benefícios que fizeram com que Rita colocasse a técnica em prática na sua empresa. Veja quais são eles!

Preservação do bom relacionamento

Nos casos em que a demissão é sem justa causa, como nos cortes de folha de pagamento por conta de crises financeiras, não há porque não manter um bom relacionamento com o colaborador demitido. Portanto, ao demitir, deixe claro para as pessoas que isso não está ocorrendo por elas terem feito algo errado ou terem deixado a desejar em suas atividades profissionais.

Ao manter um bom relacionamento com a empresa, o funcionário poderá até mesmo ser readmitido em ocasiões futuras, o que é benéfico para a organização, que não precisa investir em treinamentos, por exemplo.

No caso de o funcionário demitido resolver empreender e criar uma consultoria em sua área de especialização, por exemplo, manter o bom relacionamento também é importante. Assim, o profissional poderá prestar serviços como freelancer ou terceirizado na empresa em que atua.

Valorização do profissional

O outplacement faz com que os profissionais demitidos se sintam valorizados e estimulados a encontrarem um novo emprego. Isso é importante, uma vez que uma demissão pode desestruturar uma pessoa psicologicamente.

Ninguém trabalha para ser demitido e mais do que receber um salário, ter um trabalho digno representa uma posição social para as pessoas. Ter tudo isso tirado de uma hora para outra pode causar prejuízos para o bem-estar e a saúde mental das pessoas.

Praticando o outplacement, essa situação é amenizada e os colaboradores se sentirão mais motivados a seguir em frente.

Melhoria da imagem da empresa

Quando se pratica o outplacement, os funcionários demitidos comentarão sobre essa ação com os seus amigos, familiares e pessoas de suas relações. Isso tudo fará com que a comunidade tenha uma imagem mais positiva da empresa.

Por isso, podemos dizer que o outplacement também é uma ação de relações-públicas, visando à promoção de uma boa imagem da empresa perante os seus mais diversos públicos.

Como aplicar o outplacement nas empresas?

Para aplicar o outplacement nas empresas, recomenda-se que seja seguida uma série de passos. Confira quais são eles!

Planejamento da demissão

O processo de outplacement tem início ainda antes de os funcionários que serão demitidos serem comunicados sobre a decisão. Nessa etapa, a equipe de RH deve analisar o perfil pessoal e profissional de cada colaborador que será desligado, a fim de compreender qual é a melhor forma de fazer a abordagem.

Devem ser elencados os argumentos que serão apresentados ao profissional, o tempo que esse processo durará, a melhor forma de iniciá-lo, se os comunicados serão feitos individualmente ou de forma coletiva etc.

Comunicação da demissão

Esse é um dos momentos mais desafiadores do outplacement para o gestor de RH. É chegada a hora de ficar frente a frente com os colaboradores e anunciar a demissão. Para isso, deve-se conduzir a conversa de forma objetiva e clara, explicando os motivos do desligamento.

Também deve ser aproveitada a oportunidade para orientar os colaboradores sobre os seus direitos trabalhistas, como saque do FGTS, valores que receberão por conta das férias proporcionais e como encaminhar o seguro-desemprego, fornecido pelo Governo.

Orientação profissional

A última etapa da aplicação do outplacement diz respeito à orientação profissional. Ela consiste em repassar dicas para que o profissional possa encontrar um novo emprego no menor tempo possível.

Algumas empresas fazem até mesmo parcerias com agências de emprego e recrutamento para que os funcionários demitidos já ingressem logo em processos seletivos.

Também podem ser ministradas palestras e workshops com especialistas para que os colaboradores desligados aprendam sobre elaboração de currículos atraentes, postura em entrevistas de emprego, e outros assuntos interessantes para quem busca recolocação profissional.

Que impactos o outplacement traz para as organizações?

Entre os impactos que o outplacement traz para as organizações, podemos destacar a redução do pensamento negativo que muitas pessoas têm sobre o afastamento do mercado de trabalho.

É óbvio que ninguém quer ser demitido, mas, quando isso ocorre, não pode ser encarado como “o fim do mundo”. Tudo se reinventa e muda com o passar dos anos e as empresas também passam por esse ciclo.

Ao praticar o outplacement e humanizar os processos de desligamento, a empresa fará com que os colaboradores enxerguem isso como algo natural. Assim, eles poderão se recolocar no mercado mais rapidamente e com muito mais facilidade.

A experiência que Rita teve ao praticar o outplacement foi muito positiva. Ela foi muito elogiada pelos diretores da empresa e a grande maioria dos trabalhadores demitidos já está empregada em grandes companhias. Eles são gratos a ela e à antiga empresa, que se preocupou com a sequência de suas trajetórias.

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